POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS, ROTINA ESCOLAR E ADOECIMENTO PSÍQUICO DOCENTE
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Resumo
Nesta pesquisa buscou-se verificar quais são as relações entre políticas públicas, a rotina escolar e a saúde psíquica docente. Fizeram parte deste estudo 30 professores do Ensino Fundamental II e Médio de uma escola pública de São Paulo. Para alcançar os objetivos propostos, foi estruturado um questionário sobre as principais questões que têm afetado a saúde docente, a partir de elementos extraídos de pesquisas que abordam essa problemática. Foram estabelecidas três categorias que abrangem as 31 questões do instrumento utilizado: “carreira docente”; “relação dos alunos com o aprendizado”; e “vida funcional docente”, a fim de propor uma melhor interpretação dos resultados obtidos. As respostas mais frequentes estão relacionadas às políticas públicas educacionais de valorização da carreira docente, como: “descaso do sistema”; “falta de perspectivas”; “longa jornada de trabalho”; “desvalorização profissional”; “baixos salários” e a “falta de políticas de valorização da carreira docente”. Dentre estas, a questão mais impactante diz respeito aos “baixos salários”. Quase a totalidade dos professores apontou-na como um aspecto que afeta diretamente a rotina escolar e consequentemente a saúde docente. Fica evidente que o forte sentimento de frustação, em relação à falta de valorização do sistema para com o magistério, contribui para o adoecimento psíquico dos professores. Desse modo, faz-se necessário que os gestores das políticas públicas educacionais entendam que a valorização docente é fator primordial para o bem-estar do processo educativo, ou seja, da rotina escolar e saúde psíquica docente.
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