POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS, ROTINA ESCOLAR E ADOECIMENTO PSÍQUICO DOCENTE

Conteúdo do artigo principal

Leandro Ferreira Melo

Resumo

Nesta pesquisa buscou-se verificar quais são as relações entre políticas públicas, a rotina escolar e a saúde psíquica docente. Fizeram parte deste estudo 30 professores do Ensino Fundamental II e Médio de uma escola pública de São Paulo. Para alcançar os objetivos propostos, foi estruturado um questionário sobre as principais questões que têm afetado a saúde docente, a partir de elementos extraídos de pesquisas que abordam essa problemática. Foram estabelecidas três categorias que abrangem as 31 questões do instrumento utilizado: “carreira docente”; “relação dos alunos com o aprendizado”; e “vida funcional docente”, a fim de propor uma melhor interpretação dos resultados obtidos. As respostas mais frequentes estão relacionadas às políticas públicas educacionais de valorização da carreira docente, como: “descaso do sistema”; “falta de perspectivas”; “longa jornada de trabalho”; “desvalorização profissional”; “baixos salários” e a “falta de políticas de valorização da carreira docente”. Dentre estas, a questão mais impactante diz respeito aos “baixos salários”. Quase a totalidade dos professores apontou-na como um aspecto que afeta diretamente a rotina escolar e consequentemente a saúde docente. Fica evidente que o forte sentimento de frustação, em relação à falta de valorização do sistema para com o magistério, contribui para o adoecimento psíquico dos professores. Desse modo, faz-se necessário que os gestores das políticas públicas educacionais entendam que a valorização docente é fator primordial para o bem-estar do processo educativo, ou seja, da rotina escolar e saúde psíquica docente.

Detalhes do artigo

Como Citar
FERREIRA MELO , L. . POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS, ROTINA ESCOLAR E ADOECIMENTO PSÍQUICO DOCENTE. Educação Básica Revista, [S. l.], v. 5, n. 1, p. p.3–14, 2020. Disponível em: http://educacaobasicarevista.com.br/index.php/ebr/article/view/28. Acesso em: 3 abr. 2025.
Seção
ARTIGOS

Referências

ALARCÃO, I. Professores Reflexivos em Uma Escola Reflexiva. São Paulo. Editora Cortez, 2003.

AMORIM, P. S. Saúde ocupacional dos professores: revisão da literatura. In: Saúde ocupacional dos professores: revisão da literatura. UFF, 2009.

ASSUNÇÃO, A. Á. OLIVEIRA, D.A. Intensificação do trabalho e saúde dos professores. Educ. Soc. [online]. 2009, vol.30, n.107 [cited 2016-10-07], pp.349-372.

ARROYO, M. G. Oficio de Mestre: Imagens e Auto-Imagens. Petrópolis, Rio de Janeiro. Vozes, 2000.

BARRETO, M. “Os educadores estão doentes. Quem são os responsáveis?” Informativo do Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife. Recife: SIMPERE, novembro de 2004.

BUENO, B. O; LAPO, F. R. A síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia - USP, 13 (2), 2002.

BRITO, J. B. R.; H. L. C.; NEVES, M. Y.; OLIVEIRA, S. R. L. Saúde, gênero e reconhecimento no trabalho das professoras: convergências e diferenças no Brasil e na França. Physis [Internet]. 2014 [cited 2016 Oct 07] ; 24( 2 ): 589-605.

CODO, W. (coord.). Educação: carinho e trabalho – Burnout, a síndrome da desistência do educador, que pode levar à falência da educação. Petrópolis: Vozes, 1999.

DALAGASPERINA, P.; MONTEIRO, J.K.. Preditores da síndrome de burnout em docentes do ensino privado. Psico-USF, Itatiba, v. 19, n. 2, p. 263-275, Aug. 2014.

DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo da psicopatologia do trabalho. Trad. Ana Isabel Paraguay e Lúcia Leal Ferreira. 5 ed. São Paulo, Cortez – Oboré, 1992.

DEJOURS, C. Psicodinâmica do trabalho: contribuição de escola dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas, 1993.

ESTEVE, J. M. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Bauru: EDUSC, 1987.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia – Saberes Necessários à prática Educativa. 17ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GENTILI, P.; SILVA, T. T. (org). Escola SA. Brasília: CNTE, 1994.

LIBÂNEO, J. C. O dualismo perverso da escola pública brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres. Educ. Pesquisa [online]. 2012, vol.38, n.1, pp. 13-28. Epub Oct 21, 2011. ISSN 1517-9702.

____________. OLIVEIRA, J. F. A Educação Escolar: sociedade contemporânea. In: Revista Fragmentos de Cultura, v. 8, n.3, p.597-612, Goiânia: IFITEG, 1998.

LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber – manual de metodologia em ciências humanas. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

LIMA, M. F. & LIMA-FILHO, D.O. (2009). Condições de trabalho e saúde do/a professor/a universitário/a. Ciências & Cognição, 14(3), 74-89.

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. Tradução de Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2004.

MASLACH, C; LEITER, M. P. Trabalho: Fonte de prazer ou desgaste? Guia para vencer o estresse na empresa (M.S. Martins, Trad.). Campinas: Papirus, 1999.

MENDES, A. M. et al. Trabalho e saúde – O sujeito entre emancipação e servidão. Curitiba: Juruá, 2007.

NEVES, M. Y; Seligmann-SILVA, E. A dor e a delícia de ser (estar) professora: trabalho docente e saúde mental. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 63-75, 2006.

NORONHA, M. M. B.; ASSUNÇÃO, A. Á. ; OLIVEIRA, D. A. O sofrimento no trabalho docente: o caso das professoras da rede pública de Montes Claros, Minas Gerais. Trab. educ. saúde [online]. 2008, vol.6, n.1 [cited 2016-10-07], pp.65-86.

OLIVEIRA, R. A. A Concepção de Trabalho na Filosofia do Jovem Marx e suas Implicações Antropológicas. In: Kínesis (Marília), v. 2, p. 72-88, 2010.

PATTO, M. H. S. “Escolas cheias, cadeias vazias” nota sobre as raízes ideológicas do pensamento educacional brasileiro. Estud. av., São Paulo, v. 21, n. 61, p. 243-266, Dec. 2007.

SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação. Comunicado Conjunto CGEB / CGRH, publicado em 27 de fevereiro de 2014. São Paulo: SEE, 2014.

VYGOTSKI, L. S. A formação Social da Mente. Livraria Martins Fontes - Editora Ltda. São Paulo - SP 1991. 4ª edição brasileira.